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CDB: O que É, Como Funciona e o que Avaliar Antes de Investir

Entenda como funciona o CDB, quais são os tipos de rentabilidade, o que significa render um percentual do CDI e quais fatores avaliar além da taxa antes de investir.

Neste artigo

    O CDB é um dos investimentos de renda fixa mais encontrados em bancos e plataformas de investimento. Apesar de aparecer com frequência em ofertas como “100% do CDI”, “120% do CDI” ou determinada taxa ao ano, comparar CDBs apenas pelo rendimento anunciado pode levar a escolhas inadequadas.

    Prazo, liquidez, instituição emissora, cobertura do FGC, tributação e objetivo do dinheiro também precisam entrar na análise.

    Neste guia, você vai entender o que é CDB, como funciona, quais são os tipos de rentabilidade, o que significa percentual do CDI e o que avaliar antes de investir.

    O que é CDB?

    CDB significa Certificado de Depósito Bancário.

    É um investimento de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos.

    De forma simplificada, quando você investe em um CDB, está disponibilizando dinheiro para a instituição emissora por determinadas condições.

    Em troca, a instituição se compromete a devolver o valor acrescido da remuneração prevista na aplicação.

    Por isso, diferentemente do Tesouro Direto, em que o título é uma obrigação do Tesouro Nacional, no CDB o risco de crédito está relacionado à instituição financeira que emitiu o título.

    Se você ainda está conhecendo essa classe de investimentos, veja também nosso guia de renda fixa para iniciantes.

    Como funciona um CDB?

    Antes de investir, a instituição apresenta as condições daquele CDB.

    Entre as informações mais importantes estão:

    • instituição emissora;
    • tipo de rentabilidade;
    • taxa oferecida;
    • valor mínimo;
    • data de vencimento;
    • carência, quando houver;
    • liquidez;
    • possibilidade ou não de resgate antecipado.

    Depois da aplicação, o dinheiro passa a seguir as regras contratadas para aquele título.

    No vencimento, o investidor recebe o valor aplicado acrescido do rendimento, descontados os tributos aplicáveis.

    Quais são os tipos de CDB?

    Uma das principais diferenças entre CDBs está na forma utilizada para calcular a rentabilidade.

    CDB pós-fixado

    No CDB pós-fixado, a remuneração acompanha um indicador.

    No mercado brasileiro, é muito comum encontrar CDBs que pagam determinado percentual do CDI.

    Exemplos:

    • 90% do CDI;
    • 100% do CDI;
    • 110% do CDI;
    • 120% do CDI.

    Nesse caso, o retorno final depende de como o CDI se comportar durante o período da aplicação.

    CDB prefixado

    No CDB prefixado, a taxa é definida no momento da aplicação.

    Por exemplo, um título pode oferecer determinada taxa anual até seu vencimento.

    Isso permite conhecer previamente a regra de remuneração que será aplicada caso o investimento seja mantido conforme as condições contratadas.

    CDB híbrido

    Existem também CDBs que combinam um índice com uma taxa adicional.

    Um exemplo é uma remuneração formada por:

    IPCA + taxa prefixada

    Nesse formato, uma parte do rendimento acompanha a inflação e outra é determinada no momento da aplicação.

    O que é CDI?

    O CDI é uma referência muito utilizada no mercado de renda fixa brasileiro.

    Ele está ligado às operações de curtíssimo prazo realizadas entre instituições financeiras e sua taxa costuma caminhar próxima à taxa Selic.

    Por isso, muitos investimentos utilizam o CDI como referência para calcular sua remuneração.

    O que significa um CDB que rende 100% do CDI?

    Significa que a remuneração bruta daquele CDB acompanha 100% da taxa usada como referência do CDI durante o período.

    Se outro CDB paga 110% do CDI, sua taxa bruta corresponde a 1,10 vez essa referência.

    Isso não significa que o investidor receberá 110% de lucro sobre o dinheiro aplicado.

    O percentual se aplica ao CDI, e não diretamente ao capital.

    Quanto rende um CDB?

    Não existe um único rendimento para todos os CDBs.

    O resultado depende de fatores como:

    • taxa contratada;
    • tipo de remuneração;
    • CDI ou outro indexador durante o período;
    • tempo da aplicação;
    • Imposto de Renda;
    • IOF, quando aplicável;
    • eventuais condições específicas do produto.

    Por isso, perguntar “quanto rende R$ 1.000 em CDB?” exige primeiro saber qual CDB, por quanto tempo e com qual taxa.

    Exemplo de um CDB a 100% do CDI

    Imagine apenas para fins educativos que, durante determinado período, a referência do CDI resultasse em uma rentabilidade bruta equivalente a 10% ao ano.

    Um CDB que pagasse 100% do CDI acompanharia essa referência nas condições do exemplo.

    Aplicando R$ 1.000 e simplificando o cálculo:

    R$ 1.000 × 10% = R$ 100 de rendimento bruto

    O valor bruto seria aproximadamente R$ 1.100 antes da tributação.

    Esse exemplo é apenas uma simulação didática e não representa a taxa atual do CDI nem a rentabilidade de um CDB disponível no mercado.

    CDB de 100% do CDI é sempre melhor que um de 90%?

    Se todas as outras condições fossem iguais, uma porcentagem maior do mesmo indexador produziria uma remuneração bruta maior.

    Na prática, porém, as condições raramente são idênticas.

    Um CDB de 90% do CDI pode ter liquidez diária, enquanto outro de 120% pode exigir que o dinheiro permaneça aplicado até o vencimento.

    Também podem existir diferenças de prazo, emissor, risco de crédito e valor mínimo.

    Por isso, não compare apenas o percentual do CDI.

    O que é CDB com liquidez diária?

    É um CDB que permite solicitar o resgate antes do vencimento conforme as regras definidas pelo emissor.

    Esse tipo de produto pode ser útil quando existe necessidade de acesso ao dinheiro antes da data final da aplicação.

    Mas “liquidez diária” não deve ser interpretada automaticamente como dinheiro disponível instantaneamente em qualquer horário.

    É necessário verificar:

    • horários para resgate;
    • dias úteis;
    • prazo de crédito na conta;
    • carência;
    • condições específicas da instituição.

    O que é CDB com liquidez no vencimento?

    Alguns CDBs não permitem retirada livre durante o período da aplicação.

    Nesses casos, o dinheiro precisa permanecer investido até a data prevista, salvo alguma condição específica oferecida pelo emissor ou pela plataforma.

    Como o investidor abre mão de liquidez por determinado prazo, esses títulos podem oferecer taxas diferentes das encontradas em produtos com resgate diário.

    Carência e vencimento são a mesma coisa?

    Não.

    Carência é o período mínimo em que o dinheiro pode ficar impedido de ser resgatado.

    Vencimento é a data final prevista para o título.

    Um CDB pode, por exemplo, ter vencimento distante e permitir resgates antecipados depois de determinada carência.

    Outro pode permitir retirada desde o início. E há títulos em que o resgate ocorre apenas no vencimento.

    CDB é seguro?

    O CDB é um título de renda fixa, mas o risco de crédito está ligado à instituição financeira emissora.

    Isso significa que uma análise adequada precisa considerar quem está recebendo o dinheiro.

    Além disso, os CDBs estão entre os produtos elegíveis à proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, dentro das regras e limites da garantia.

    Como funciona a garantia do FGC para CDB?

    Atualmente, a garantia ordinária do FGC é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição financeira ou conglomerado, considerando os créditos elegíveis naquela instituição.

    Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em pagamentos de garantias dentro de um período de quatro anos, conforme as regras do fundo.

    Isso significa que simplesmente distribuir vários CDBs entre marcas diferentes não garante necessariamente coberturas independentes.

    É importante verificar se instituições aparentemente diferentes fazem parte do mesmo conglomerado financeiro.

    FGC significa que o CDB não tem risco?

    Não.

    A garantia reduz determinadas consequências do risco de crédito dentro dos limites previstos, mas não elimina a necessidade de avaliar a instituição emissora.

    Também pode existir um intervalo entre a intervenção ou liquidação de uma instituição e o efetivo pagamento da garantia.

    Por isso, buscar uma taxa maior sem observar o emissor não é uma análise completa.

    Por que bancos menores podem oferecer taxas maiores?

    Instituições diferentes possuem necessidades diferentes de captação.

    Uma instituição pode oferecer remuneração mais alta para tornar seus títulos mais atraentes aos investidores.

    Isso não significa automaticamente que qualquer banco menor seja inadequado ou que uma taxa maior represente problema.

    Mas quanto maior a remuneração oferecida, mais importante é entender por que aquela condição existe e avaliar emissor, prazo e liquidez.

    CDB paga Imposto de Renda?

    Sim. Para pessoas físicas, os rendimentos de CDB seguem a tributação regressiva aplicável às aplicações de renda fixa.

    Em 2026, as alíquotas são:

    • 22,5%: até 180 dias;
    • 20%: de 181 a 360 dias;
    • 17,5%: de 361 a 720 dias;
    • 15%: acima de 720 dias.

    O imposto incide sobre o rendimento, e não sobre todo o valor aplicado.

    Quanto maior o prazo dentro dessa tabela, menor é a alíquota de IR até atingir 15%.

    CDB tem IOF?

    Pode haver incidência de IOF sobre o rendimento quando o resgate acontece nos primeiros 30 dias da aplicação.

    A cobrança segue uma tabela regressiva e diminui conforme os dias passam, chegando a zero depois desse período.

    Por isso, aplicações de prazo muito curto precisam ser avaliadas também pelo impacto tributário.

    CDB serve para reserva de emergência?

    Alguns CDBs podem ser utilizados nessa função, principalmente quando possuem liquidez compatível com a necessidade da reserva.

    Mas não basta o produto se chamar CDB.

    Para uma reserva, é importante verificar:

    • liquidez diária;
    • horário de resgate;
    • prazo para o dinheiro cair na conta;
    • ausência de carência incompatível;
    • risco da instituição;
    • cobertura do FGC dentro dos limites.

    Veja também nosso guia sobre reserva de emergência.

    CDB ou Tesouro Selic para reserva?

    As duas alternativas podem aparecer em pesquisas sobre reserva de emergência, mas possuem estruturas diferentes.

    No CDB, existe risco de crédito da instituição financeira e possível cobertura do FGC.

    No Tesouro Selic, o título é uma obrigação do Tesouro Nacional e não possui cobertura do FGC.

    Também existem diferenças de liquidez operacional, tributação, taxa e funcionamento.

    Veja nosso guia completo de Tesouro Direto para iniciantes.

    CDB ou Tesouro Direto: qual escolher?

    Não existe uma opção automaticamente melhor para todos os objetivos.

    Na comparação, observe:

    • objetivo do dinheiro;
    • prazo;
    • liquidez;
    • rentabilidade líquida;
    • emissor;
    • cobertura do FGC;
    • possibilidade de venda ou resgate antecipado;
    • simplicidade operacional.

    A taxa anunciada é apenas uma parte da decisão.

    Como comparar dois CDBs?

    Suponha que você encontre dois produtos:

    • CDB A: 100% do CDI com liquidez diária;
    • CDB B: 115% do CDI, mas com dinheiro disponível apenas no vencimento.

    O CDB B possui percentual maior, mas isso não significa que seja a escolha adequada para um dinheiro que pode ser necessário no próximo mês.

    Já para um objetivo com data definida e compatível com o vencimento, a análise pode ser diferente.

    Por isso, compare taxa e condições ao mesmo tempo.

    O que avaliar antes de investir em CDB?

    • Emissor: qual instituição está tomando seu dinheiro emprestado?
    • Rentabilidade: prefixada, pós-fixada ou híbrida?
    • Percentual do CDI: quando aplicável, quanto é oferecido?
    • Liquidez: quando você poderá retirar?
    • Carência: existe período mínimo?
    • Vencimento: a data combina com seu objetivo?
    • FGC: quanto você já possui no mesmo conglomerado?
    • Tributação: qual será a alíquota considerando o prazo?
    • Rentabilidade líquida: quanto sobra depois dos impostos?

    Não escolha um CDB apenas pela maior taxa

    É comum encontrar anúncios destacando percentuais altos do CDI.

    Uma taxa maior chama atenção, mas pode vir acompanhada de prazo mais longo, ausência de liquidez ou emissor com características diferentes.

    Antes de investir, pergunte:

    • Posso deixar esse dinheiro parado até o vencimento?
    • Precisarei dele em uma emergência?
    • Conheço a instituição emissora?
    • Meu valor está dentro dos limites do FGC?
    • A diferença de rendimento compensa abrir mão da liquidez?

    Erros comuns de quem começa a investir em CDB

    • olhar apenas o percentual do CDI;
    • não verificar a data de vencimento;
    • confundir liquidez diária com disponibilidade imediata 24 horas por dia;
    • ignorar a carência;
    • não identificar corretamente o emissor;
    • somar mais de R$ 250 mil em créditos elegíveis no mesmo conglomerado imaginando estar integralmente coberto;
    • comparar rendimento bruto de um CDB com rendimento líquido de outro investimento;
    • usar para reserva um CDB que só pode ser resgatado no vencimento;
    • ignorar o Imposto de Renda.

    Checklist antes de aplicar

    • Sei qual instituição emitiu o CDB?
    • Entendi como a rentabilidade é calculada?
    • Sei quanto do CDI ele paga?
    • Conheço o vencimento?
    • Existe carência?
    • Posso resgatar antes?
    • Sei quando o dinheiro ficará disponível?
    • Verifiquei minha exposição ao mesmo conglomerado no FGC?
    • Considerei o Imposto de Renda?
    • Esse prazo combina com meu objetivo?

    Perguntas frequentes sobre CDB

    CDB é renda fixa?

    Sim. As regras utilizadas para calcular sua remuneração são definidas no momento da aplicação.

    CDB tem garantia do FGC?

    CDB é um dos produtos elegíveis à garantia ordinária do FGC, observados os limites e demais regras do fundo.

    Quanto rende R$ 1.000 em CDB?

    Depende da taxa, do indexador, do prazo e dos impostos. Um CDB que paga 100% do CDI terá resultado diferente de um prefixado ou de outro que paga um percentual diferente do CDI.

    CDB de 100% do CDI é bom?

    O percentual isoladamente não permite concluir se o produto é adequado. Também é necessário analisar emissor, prazo, liquidez, vencimento, tributação e objetivo.

    CDB pode ter liquidez diária?

    Sim. Existem CDBs com liquidez diária e outros que limitam ou não permitem resgate antes do vencimento.

    Posso perder dinheiro em CDB?

    O investidor está exposto ao risco de crédito da instituição emissora, além das regras específicas de liquidez e resgate do produto. A existência de cobertura do FGC dentro dos limites previstos reduz determinados impactos desse risco, mas não significa ausência de risco.

    CDB paga Imposto de Renda?

    Sim. Os rendimentos seguem a tabela regressiva da renda fixa, que atualmente varia de 22,5% a 15% conforme o prazo da aplicação.

    Conclusão: vale a pena investir em CDB?

    O CDB é uma das principais alternativas de renda fixa disponíveis no mercado brasileiro e pode atender diferentes objetivos, desde aplicações com liquidez diária até investimentos com prazo definido.

    Mas não existe um único “CDB”. Cada emissão possui taxa, prazo, liquidez e instituição emissora próprios.

    Por isso, antes de aplicar, compare principalmente rentabilidade líquida, emissor, liquidez, vencimento e cobertura do FGC.

    Escolher apenas o maior percentual do CDI pode fazer você trocar flexibilidade por uma diferença de rendimento que não combina com seu objetivo.

    Se você ainda está montando sua base de investimentos, veja também como começar a investir, nosso guia de renda fixa para iniciantes e o conteúdo sobre Tesouro Direto para iniciantes.

    Conteúdo educativo. Rentabilidades, taxas e condições de CDBs variam conforme instituição, emissão e momento da aplicação. Consulte as condições do produto antes de investir.

    SOBRE O AUTOR
    Claudio

    Claudio

    Autor do AcordeCedo e produz conteúdos informativos sobre finanças pessoais, renda, oportunidades, investimentos e nova economia. Seu trabalho busca explicar esses temas de forma clara e acessível, com atenção a riscos, limitações e fontes confiáveis.

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