Equity token é uma expressão utilizada para descrever tokens relacionados à participação societária ou a direitos econômicos associados a uma empresa.
À primeira vista, a ideia parece simples: transformar uma participação em uma empresa em unidades digitais registradas em blockchain.
Na prática, porém, é necessário entender exatamente o que o token representa.
Um equity token pode fazer parte de uma estrutura que representa ações ou outros direitos societários, mas o uso dessa expressão não significa automaticamente que seu titular seja acionista da empresa.
Também não significa que a utilização de blockchain afaste as regras societárias e do mercado de capitais.
Por isso, compreender um equity token exige analisar a tecnologia, os direitos atribuídos ao titular e a estrutura jurídica utilizada.
Índice
- O que é equity token?
- Como funciona?
- Equity token e ação tokenizada são a mesma coisa?
- Quais direitos um equity token pode oferecer?
- Quem compra um equity token vira acionista?
- Qual a diferença entre equity token e security token?
- Quais são as possíveis vantagens?
- Quais são os riscos?
- Tokenização garante liquidez?
- Como funciona a regulação no Brasil?
- O que a CVM está estudando em 2026?
- Perguntas frequentes
O que é equity token?
O termo equity está relacionado à participação no patrimônio ou capital de uma empresa.
Um equity token pode ser entendido, de maneira geral, como uma representação digital relacionada a uma participação societária ou a determinados direitos econômicos vinculados a uma empresa.
Essa representação pode utilizar blockchain ou outra tecnologia de registro distribuído.
Entretanto, não existe uma definição universal capaz de garantir que todo produto chamado comercialmente de “equity token” conceda exatamente os mesmos direitos.
É necessário analisar os documentos da emissão e a legislação aplicável para descobrir o que efetivamente está por trás do token.
Como funciona um equity token?
Não existe um único modelo.
Em uma estrutura de tokenização, determinados direitos podem ser representados digitalmente por tokens registrados em uma infraestrutura DLT.
A tecnologia pode registrar emissão, titularidade e transferências dentro do sistema utilizado.
Smart contracts também podem automatizar determinadas funções previstas na estrutura.
Mas a blockchain não cria sozinha os direitos societários.
Os direitos atribuídos ao titular dependem da estrutura jurídica, dos documentos da emissão e das regras aplicáveis à empresa e ao mercado no qual o ativo é oferecido.
Equity token e ação tokenizada são a mesma coisa?
Não necessariamente.
Uma ação é um instrumento societário específico que representa participação no capital de uma sociedade por ações e possui direitos definidos pela legislação e pelos documentos societários correspondentes.
Uma ação pode ser representada digitalmente em determinada infraestrutura de tokenização.
Já a expressão “equity token” pode ser utilizada de forma mais ampla para estruturas relacionadas à participação econômica ou societária em empresas.
Portanto, antes de tratar um equity token como uma ação, é necessário verificar se o ativo representado é realmente uma ação e quais direitos jurídicos foram atribuídos ao titular.
Quais direitos um equity token pode oferecer?
Os direitos variam conforme a estrutura.
Dependendo do caso, podem existir direitos relacionados a:
- participação societária;
- distribuição de resultados;
- direitos econômicos;
- direito de voto, quando previsto;
- participação em determinados eventos societários;
- outros direitos estabelecidos nos documentos da emissão.
Nenhum desses direitos deve ser presumido apenas porque o produto utiliza a palavra “equity”.
É possível que duas estruturas utilizem nomes semelhantes e concedam direitos diferentes.
Quem compra um equity token vira acionista?
Não necessariamente.
Se o token representar juridicamente uma ação e a estrutura cumprir os requisitos aplicáveis à titularidade dessa ação, o investidor poderá possuir os direitos correspondentes.
Mas um token também pode representar outro tipo de direito econômico relacionado à empresa sem transformar seu titular em acionista.
Por isso, uma pergunta fundamental antes de adquirir qualquer produto desse tipo é: qual é o ativo ou direito que existe por trás do token?
Também é importante verificar como a titularidade é reconhecida juridicamente e não apenas como aparece em uma carteira digital.
Qual a diferença entre equity token e security token?
As expressões são relacionadas, mas não são necessariamente equivalentes.
“Security token” é uma expressão utilizada internacionalmente para tokens associados a instrumentos ou estruturas enquadradas como valores mobiliários.
Um equity token que represente uma participação societária caracterizada como valor mobiliário pode ser tratado como um security token.
Mas valores mobiliários não se limitam a participações societárias. Existem títulos de dívida, instrumentos de securitização, derivativos e contratos de investimento coletivo, entre outros.
Assim, nem todo security token precisa representar equity.
Quais são as possíveis vantagens dos equity tokens?
A tokenização pode trazer novas possibilidades para a infraestrutura utilizada na emissão e movimentação de ativos.
Entre os potenciais benefícios estudados estão:
- automação de determinados processos;
- registro digital das movimentações;
- programabilidade por meio de smart contracts;
- integração entre diferentes participantes;
- possibilidade de representar unidades econômicas menores;
- novos modelos de emissão, distribuição e negociação.
Essas possibilidades não significam que a tokenização necessariamente reduza custos, aumente a liquidez ou torne um investimento mais rentável.
O resultado depende da infraestrutura, do mercado, da regulamentação e da própria qualidade do ativo representado.
Quais são os riscos de um equity token?
Equity tokens podem combinar riscos associados ao investimento em empresas com riscos próprios da infraestrutura digital.
Entre os pontos de atenção estão:
- perda do capital investido;
- risco relacionado à empresa ou empreendimento;
- baixa liquidez;
- dificuldade para determinar o valor do ativo;
- direitos jurídicos diferentes do esperado pelo comprador;
- falhas de smart contracts;
- segurança cibernética;
- custódia dos tokens;
- dependência da plataforma ou dos prestadores de serviço;
- restrições à transferência;
- riscos regulatórios.
Empresas privadas e negócios em estágio inicial podem apresentar riscos particularmente elevados, independentemente de suas participações serem ou não tokenizadas.
A tecnologia utilizada para representar o investimento não reduz automaticamente o risco econômico da empresa.
Tokenização garante liquidez?
Não.
Um token pode ser tecnicamente transferível com facilidade e ainda assim possuir poucos compradores.
Liquidez depende da existência de um mercado, participantes interessados, regras de negociação e possibilidade jurídica de transferência.
Também podem existir restrições regulatórias ou contratuais que impeçam a livre negociação do ativo.
Por isso, a possibilidade técnica de movimentar um token 24 horas por dia não deve ser confundida com a garantia de conseguir vendê-lo quando quiser e pelo preço desejado.
Como funciona a regulação de equity tokens no Brasil?
No Brasil, o enquadramento regulatório depende das características e dos direitos associados ao token.
A Lei nº 6.385/1976 define diferentes categorias de valores mobiliários e inclui, entre outras hipóteses, determinados contratos de investimento coletivo quando ofertados publicamente.
A Comissão de Valores Mobiliários também consolidou, no Parecer de Orientação CVM nº 40, seu entendimento sobre a aplicação das regras do mercado de capitais aos criptoativos que sejam valores mobiliários.
Segundo a CVM, tokens referenciados a ativos podem ou não ser valores mobiliários. A análise depende da essência econômica dos direitos atribuídos aos titulares.
A CVM também esclarece que estão dentro de sua competência tokens que representem digitalmente valores mobiliários tradicionais e estruturas que se caracterizem como contratos de investimento coletivo ofertados publicamente.
Isso significa que utilizar blockchain ou chamar um produto de “equity token” não permite contornar as regras do mercado de capitais.
Quando o ativo for um valor mobiliário, sua emissão, oferta, intermediação e negociação devem observar as normas aplicáveis.
O que a CVM está estudando sobre tokenização em 2026?
A discussão regulatória sobre valores mobiliários tokenizados avançou em 2026.
Em julho, a CVM instituiu o Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT), voltado ao estudo de registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários em infraestruturas de registro distribuído.
O grupo também analisa segurança cibernética, experiências nacionais e internacionais, resultados do sandbox regulatório e possíveis aperfeiçoamentos das regras existentes.
Como primeiro entregável, o GTT deverá apresentar ao Colegiado da CVM uma proposta de regime regulatório experimental para tokenização de valores mobiliários.
Isso não significa que exista uma nova categoria jurídica chamada “equity token”. O trabalho está relacionado à forma como valores mobiliários podem utilizar novas infraestruturas tecnológicas mantendo proteção aos investidores, integridade do mercado e segurança jurídica.
Perguntas frequentes sobre equity tokens
Equity token é uma ação?
Não necessariamente. Um token pode representar uma ação, mas também pode estar relacionado a outros direitos econômicos ou societários. É necessário verificar a estrutura jurídica do produto.
Equity token dá direito a dividendos?
Somente quando os direitos correspondentes estiverem previstos na estrutura do ativo. A existência de um token não cria automaticamente direito a dividendos ou distribuição de resultados.
Quem possui equity token pode votar nas decisões da empresa?
Depende dos direitos conferidos pelo ativo representado. Direito de voto não deve ser presumido apenas porque o token está relacionado à participação em uma empresa.
Todo equity token é regulado pela CVM?
Não pelo simples uso dessa denominação. Entretanto, quando o token representa um valor mobiliário ou possui características que o enquadram como tal, aplicam-se as regras correspondentes do mercado de capitais e a competência da CVM.
Equity token é mais seguro que investir diretamente em uma empresa?
Não existe essa garantia. A tokenização modifica aspectos da representação ou infraestrutura do ativo, mas não elimina riscos empresariais, financeiros, jurídicos ou de mercado e ainda pode acrescentar riscos tecnológicos.
O token não é mais importante que o direito que ele representa
Equity tokens mostram como blockchain pode ser utilizada para representar digitalmente participações e outros direitos relacionados a empresas.
Mas a tecnologia é apenas uma parte da estrutura.
Para o investidor, é mais importante compreender qual ativo está por trás do token, quais direitos ele oferece, como a titularidade é reconhecida e quais regras regulatórias se aplicam.
Também é necessário separar três conceitos que frequentemente aparecem misturados: participação societária, valor mobiliário e token.
Um token pode representar um valor mobiliário, mas não deixa de estar sujeito às regras correspondentes simplesmente porque utiliza blockchain.
Com a CVM aprofundando em 2026 os estudos sobre infraestruturas DLT para o mercado de capitais, a tecnologia pode continuar evoluindo. Ainda assim, a pergunta fundamental permanece a mesma: quais direitos e riscos existem por trás daquele token?
Fontes oficiais consultadas
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Parecer de Orientação CVM nº 40.
- Comissão de Valores Mobiliários — Perguntas Frequentes: criptoativos e aplicação das regras da CVM.
- Presidência da República — Lei nº 6.385/1976.
- Comissão de Valores Mobiliários — Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT).
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de token, empresa ou plataforma. Participações societárias, valores mobiliários e ativos digitais podem envolver risco de perda do capital investido.



