A maquininha de cartão se tornou uma ferramenta comum para MEIs, profissionais autônomos e pequenos negócios que precisam aceitar pagamentos no débito, crédito, parcelado e, em alguns casos, Pix.
Mas escolher uma maquininha olhando apenas para a menor taxa anunciada pode levar a uma decisão ruim.
As condições podem mudar conforme forma de pagamento, número de parcelas, faturamento mensal, bandeira, prazo para receber e plano contratado.
Neste guia, você vai aprender como escolher uma maquininha de cartão para MEI, quais taxas comparar, quais custos podem aparecer e como calcular quanto realmente sobra de cada venda.
Se você ainda mistura o dinheiro da empresa com despesas particulares, veja também nosso guia sobre como separar o dinheiro pessoal do dinheiro do negócio.
MEI pode ter maquininha de cartão?
Sim.
O MEI pode contratar soluções de pagamento oferecidas por bancos, adquirentes e instituições de pagamento, conforme os requisitos de cadastro de cada empresa.
Dependendo da solução, podem ser aceitas vendas por:
- cartão de débito;
- crédito à vista;
- crédito parcelado;
- aproximação;
- Pix;
- link de pagamento;
- carteiras digitais.
Os recursos disponíveis variam conforme o modelo e a instituição.
Preciso ter conta PJ para usar uma maquininha?
Não necessariamente.
Algumas empresas permitem cadastro com CPF ou oferecem conta de pagamento vinculada à própria solução.
Outras estruturas podem exigir ou funcionar melhor com uma conta empresarial.
Por isso, verifique as exigências da empresa escolhida antes de contratar.
Veja também nosso conteúdo sobre conta PJ para MEI e o que avaliar antes de escolher.
Como funcionam as taxas da maquininha?
A operadora normalmente desconta uma porcentagem do valor vendido antes de liberar o dinheiro para o comerciante.
Essa porcentagem pode mudar conforme:
- débito;
- crédito à vista;
- crédito parcelado;
- quantidade de parcelas;
- prazo escolhido para receber;
- faturamento mensal;
- plano;
- campanhas promocionais.
Por isso, quando uma empresa anuncia “taxas a partir de determinado percentual”, esse número não necessariamente será aplicado a todas as suas vendas.
Taxa no débito
Nas vendas no débito, normalmente é descontado um percentual do valor da transação.
Exemplo ilustrativo:
Se uma venda for de R$ 100 e a taxa for de 1,50%, o custo da operação será de R$ 1,50.
R$ 100 − R$ 1,50 = R$ 98,50 líquidos
O percentual real deve ser conferido na tabela vigente da empresa contratada.
Taxa no crédito à vista
A taxa do crédito costuma ser maior do que a do débito.
Além disso, algumas empresas permitem escolher entre receber mais rápido pagando uma taxa maior ou esperar mais tempo para reduzir o custo.
Por isso, duas pessoas usando a mesma maquininha podem acabar pagando taxas diferentes de acordo com o plano e o prazo de recebimento.
Crédito parcelado pode custar muito mais
É no parcelamento que a diferença entre taxas costuma se tornar mais significativa.
Quanto maior o número de parcelas, maior pode ser o custo total da venda.
Antes de oferecer parcelamento, confira:
- taxa em 2 vezes;
- taxa em 3 vezes;
- taxa em 6 vezes;
- taxa em 12 vezes ou mais;
- quem assume o custo do parcelamento;
- quando o dinheiro será liberado.
Uma taxa baixa no débito não significa automaticamente que a mesma maquininha será barata para vendas parceladas.
Prazo para receber faz diferença
Esse é um dos critérios mais importantes.
Dependendo da empresa, você pode encontrar opções como:
- recebimento imediato;
- no mesmo dia;
- no dia seguinte;
- em 14 dias;
- em 30 dias;
- conforme o vencimento das parcelas.
Receber mais rápido pode melhorar o caixa, mas também pode custar mais.
Para entender o impacto disso no negócio, vale conhecer também como calcular o capital de giro.
Antecipação de recebíveis
Quando uma venda parcelada seria recebida ao longo dos próximos meses, algumas empresas permitem antecipar esses valores.
Isso coloca dinheiro no caixa antes, mas envolve um custo.
Antes de antecipar, verifique:
- taxa da antecipação;
- valor líquido recebido;
- prazo;
- necessidade real do caixa;
- impacto na margem.
Usar antecipação continuamente apenas para conseguir pagar despesas pode indicar que o fluxo de caixa precisa ser revisto.
Maquininha sem aluguel significa sem custo?
Não necessariamente.
Existem modelos em que o empreendedor compra a maquininha e não paga aluguel mensal.
Mesmo assim, ainda podem existir:
- taxas por transação;
- custo de antecipação;
- custo do próprio equipamento;
- taxas específicas por serviço;
- condições diferentes após o período promocional.
Por isso, “sem aluguel” e “sem custo” são coisas diferentes.
Cuidado com taxas promocionais
Algumas empresas oferecem condições reduzidas para novos clientes durante determinado período ou até atingir certo volume de vendas.
Essas promoções podem ser interessantes, mas não deveriam ser o único motivo da escolha.
Antes de contratar, descubra:
- quanto tempo dura a promoção;
- qual é o limite de faturamento;
- qual será a taxa depois;
- quais modalidades estão incluídas.
A taxa permanente pode ser mais importante do que a promocional quando a maquininha será usada durante vários anos.
As taxas podem mudar conforme o faturamento
Algumas empresas trabalham com faixas de faturamento.
Nesse modelo, quem vende mais por mês pode receber condições diferentes de quem possui faturamento menor.
Isso significa que uma maquininha interessante para quem vende R$ 2 mil por mês pode não ser a mesma escolha para uma empresa que movimenta R$ 30 mil.
Compare utilizando o seu faturamento real ou esperado, e não apenas a menor taxa possível apresentada na propaganda.
Como calcular o custo real das taxas?
O ideal é usar o perfil real das suas vendas.
Imagine um pequeno negócio que venda R$ 10.000 por mês desta forma:
| Modalidade | Vendas no mês | Taxa hipotética | Custo |
|---|---|---|---|
| Débito | R$ 3.000 | 1,5% | R$ 45 |
| Crédito à vista | R$ 4.000 | 3,5% | R$ 140 |
| Parcelado | R$ 3.000 | 9% | R$ 270 |
| Total | R$ 10.000 | — | R$ 455 |
Nesse exemplo, o custo mensal com processamento seria de R$ 455.
Isso equivale a 4,55% das vendas totais.
Os números são apenas ilustrativos e não representam uma empresa específica.
Compare o custo mensal, não apenas uma taxa
Essa é uma forma mais útil de comparar duas maquininhas.
Suponha que:
- a Maquininha A tenha débito mais barato;
- a Maquininha B tenha crédito parcelado mais barato.
Se a maior parte de suas vendas acontece parcelada, a Maquininha B pode gerar menor custo total mesmo tendo uma taxa pior no débito.
Por isso, uma comparação eficiente precisa considerar o mix de vendas.
Preço da maquininha também importa
Além das taxas, compare o custo do equipamento.
Algumas opções são mais simples e baratas. Outras possuem:
- tela maior;
- sistema próprio;
- impressão de comprovante;
- chip de dados;
- Wi-Fi;
- bateria maior;
- recursos de gestão.
Não vale pagar por funcionalidades que não serão utilizadas.
Maquininha que precisa de celular ou independente?
Modelos mais simples podem depender de um smartphone para determinadas operações.
Outros possuem conexão própria e funcionam de forma independente.
Para quem vende em loja física com alto movimento, autonomia pode ser importante.
Para quem realiza poucas vendas por dia, uma solução simples pode ser suficiente.
Celular pode virar maquininha?
Sim. Algumas empresas oferecem soluções que usam a tecnologia NFC do smartphone para receber pagamentos por aproximação sem uma maquininha física tradicional.
Esse tipo de solução pode ser interessante para:
- prestadores de serviço;
- vendedores externos;
- quem está começando;
- quem faz poucas vendas presenciais.
Antes de usar, verifique compatibilidade do aparelho, modalidades aceitas e taxas.
Maquininha precisa aceitar Pix?
Não obrigatoriamente, porque o MEI pode receber Pix por outros meios.
Mas aceitar Pix diretamente na maquininha pode facilitar a operação em estabelecimentos físicos.
Compare também eventual tarifa aplicada ao Pix comercial pela empresa contratada.
Quais bandeiras a maquininha aceita?
Antes de contratar, veja quais cartões e bandeiras são aceitos.
Dependendo do seu público, também pode ser importante verificar:
- vale-alimentação;
- vale-refeição;
- carteiras digitais;
- pagamento por aproximação;
- bandeiras regionais.
Um recurso que não é relevante para um negócio pode ser essencial para outro.
Preciso emitir comprovante impresso?
Algumas maquininhas possuem impressora integrada, enquanto outras enviam comprovante digital.
Modelos com impressora podem custar mais, ser maiores e utilizar bobinas.
Para atividades em que comprovante digital é suficiente, talvez esse recurso não seja necessário.
Bateria e conexão também entram na escolha
Quem vende fora de um ponto fixo deve observar:
- duração da bateria;
- chip de dados;
- Wi-Fi;
- estabilidade da conexão;
- tempo de carregamento;
- portabilidade.
Uma taxa baixa perde importância se o equipamento não funciona adequadamente no ambiente em que você vende.
Para onde vai o dinheiro das vendas?
Algumas empresas depositam os recebimentos em uma conta digital vinculada à própria plataforma.
Outras permitem transferir para uma conta bancária indicada pelo cliente.
Verifique:
- onde o dinheiro ficará disponível;
- como transferi-lo;
- se existe tarifa;
- quanto tempo a transferência leva;
- se existe Pix para movimentar o saldo.
Estorno e chargeback
Também é importante entender como a empresa trata cancelamentos e contestação de compras.
Chargeback ocorre quando uma transação é contestada e pode resultar na reversão do valor recebido.
Leia as regras sobre:
- estorno;
- contestação;
- envio de documentos;
- prazos;
- retenção de valores.
Atendimento e suporte técnico
Uma maquininha é parte do processo de vendas.
Se ela parar de funcionar em um horário de movimento, o suporte passa a ser importante.
Confira:
- canais de atendimento;
- horários;
- troca do equipamento;
- garantia;
- prazo para substituição;
- atendimento por aplicativo.
Qual é a melhor maquininha para MEI?
Não existe uma maquininha que seja automaticamente a melhor para todos os MEIs.
A escolha depende principalmente de:
- quanto você vende por mês;
- quanto vende no débito;
- quanto vende no crédito;
- quanto parcela;
- quando precisa receber;
- onde trabalha;
- quais recursos precisa;
- quanto aceita pagar pelo equipamento.
Como comparar maquininhas na prática
Monte uma tabela com pelo menos estes critérios:
| Critério | Maquininha A | Maquininha B | Maquininha C |
|---|---|---|---|
| Preço do equipamento | — | — | — |
| Mensalidade | — | — | — |
| Débito | — | — | — |
| Crédito à vista | — | — | — |
| Crédito 6x | — | — | — |
| Crédito 12x | — | — | — |
| Pix | — | — | — |
| Prazo de recebimento | — | — | — |
| Imprime comprovante? | — | — | — |
| Possui chip? | — | — | — |
Depois, preencha com as condições atuais diretamente nos sites oficiais das empresas.
Esse método evita escolher com base apenas em anúncios.
Erros comuns ao escolher uma maquininha
- olhar somente a menor taxa anunciada;
- comparar taxa promocional com taxa permanente de outra empresa;
- ignorar crédito parcelado;
- não verificar prazo de recebimento;
- não considerar antecipação;
- comprar equipamento mais caro do que precisa;
- ignorar bandeiras aceitas;
- não verificar atendimento;
- não calcular o custo mensal das taxas.
Checklist antes de escolher
- Quanto vendo por mês?
- Qual percentual das vendas acontece no débito?
- Quanto vendo no crédito à vista?
- Quanto vendo parcelado?
- Em quantas parcelas normalmente?
- Preciso receber imediatamente?
- Qual é a taxa depois da promoção?
- Existe aluguel ou mensalidade?
- Quanto custa o equipamento?
- Aceita aproximação?
- Aceita Pix?
- Quais bandeiras aceita?
- Preciso de comprovante impresso?
- Preciso de chip próprio?
- Como funciona o suporte?
Perguntas frequentes
MEI pode ter maquininha?
Sim. O MEI pode contratar soluções de pagamento conforme os critérios de cadastro da empresa fornecedora.
Qual maquininha tem a menor taxa?
Isso muda conforme modalidade, faturamento, prazo de recebimento, número de parcelas e promoções. Por isso, não existe uma única resposta permanente.
Maquininha sem aluguel é melhor?
Não necessariamente. É preciso comparar também taxas por venda, preço do equipamento, prazo de recebimento e recursos oferecidos.
MEI precisa de conta PJ para ter maquininha?
Nem sempre. Os requisitos dependem da empresa contratada. Algumas soluções permitem cadastro e recebimento por estruturas próprias ou outras modalidades de conta.
Posso usar o celular como maquininha?
Sim. Existem soluções que transformam celulares compatíveis com NFC em terminais para pagamentos por aproximação.
Taxa promocional dura para sempre?
Normalmente não. Promoções podem ter limite de tempo, faturamento ou outras condições. Verifique qual será a taxa após o período promocional.
Conclusão
A melhor maquininha de cartão para MEI não é necessariamente aquela que mostra a menor taxa em uma propaganda.
A escolha precisa considerar o conjunto:
- taxa no débito;
- crédito à vista;
- parcelamento;
- prazo de recebimento;
- antecipação;
- preço do equipamento;
- conectividade;
- bandeiras;
- Pix;
- suporte.
O melhor método é calcular quanto cada opção custaria usando o perfil real das suas vendas.
Uma diferença aparentemente pequena de taxa pode representar bastante dinheiro quando multiplicada por todas as vendas do mês.
Conteúdo educativo. Taxas, preços, promoções, bandeiras, condições de recebimento e demais características podem mudar. Consulte sempre as condições atuais nos canais oficiais da empresa antes da contratação.


