Fundos de Investimento em Criptoativos: Como Funcionam, Riscos e Regras

Quem deseja ter exposição ao mercado de criptoativos não precisa necessariamente comprar Bitcoin, Ether ou outros ativos digitais diretamente.

Uma das alternativas existentes no mercado financeiro são os fundos de investimento que incluem criptoativos ou ativos relacionados em suas estratégias.

Nesse modelo, o investidor adquire cotas de um fundo e a gestão da carteira fica sob responsabilidade de profissionais e prestadores de serviços sujeitos às regras aplicáveis ao fundo.

Isso pode simplificar alguns aspectos operacionais, mas não elimina riscos como volatilidade, perda de capital, liquidez, riscos de mercado e aqueles associados aos próprios ativos digitais.

Além disso, fundo de criptoativos, ETF de criptoativos e compra direta de criptomoedas são estruturas diferentes. Entender essa distinção é fundamental antes de avaliar qualquer alternativa.

Índice

O que são fundos de investimento em criptoativos?

Um fundo de investimento reúne recursos de diferentes investidores em uma estrutura coletiva administrada conforme uma política de investimento definida.

Quando essa política permite exposição a criptoativos ou a instrumentos relacionados a esse mercado, o fundo pode ser informalmente chamado de fundo de criptoativos.

Isso não significa necessariamente que todo o patrimônio do fundo esteja aplicado diretamente em criptomoedas.

A composição da carteira depende da categoria do fundo, de seu regulamento, da política de investimento e dos limites regulatórios aplicáveis.

Por isso, dois fundos apresentados ao público como relacionados a cripto podem possuir estratégias e níveis de risco bastante diferentes.

Como os fundos de criptoativos funcionam?

O investidor não compra diretamente os ativos que compõem a carteira. Ele adquire cotas do fundo.

O patrimônio do fundo é administrado de acordo com sua política de investimento e com as decisões tomadas pelo gestor dentro das regras estabelecidas.

O valor da cota varia de acordo com o desempenho da carteira e com outros fatores relacionados à estrutura do fundo.

Dependendo da estratégia, o resultado pode ser influenciado pelo preço de Bitcoin, Ether ou outros criptoativos, além de câmbio, derivativos, ativos financeiros e demais posições existentes na carteira.

Portanto, não se deve presumir que todos os fundos ligados ao setor acompanhem exatamente o preço de uma determinada criptomoeda.

Qual a diferença para comprar criptomoedas diretamente?

Na compra direta, o investidor adquire o próprio criptoativo por meio da infraestrutura escolhida e assume as responsabilidades correspondentes à forma de custódia utilizada.

Em um fundo, o investidor possui cotas. É o fundo que mantém as exposições previstas em sua estratégia.

Essa diferença tem consequências importantes.

  • o cotista não possui diretamente as criptomoedas da carteira;
  • a gestão é realizada de acordo com a política do fundo;
  • existem prestadores de serviços responsáveis por diferentes funções;
  • podem existir taxas de administração, gestão ou performance;
  • aplicações e resgates seguem as regras previstas para a classe;
  • tributação e procedimentos operacionais podem ser diferentes da compra direta.

Por outro lado, quem possui criptoativos diretamente pode ter maior controle sobre sua custódia, dependendo do modelo escolhido, mas também assume riscos e responsabilidades específicos dessa modalidade.

Fundo de criptoativos e ETF são a mesma coisa?

Não exatamente.

ETF é a sigla para Exchange Traded Fund. No Brasil, esses produtos são estruturados como fundos de índice e suas cotas podem ser negociadas em mercado organizado.

Existem ETFs cuja estratégia está relacionada a índices ou exposições ao mercado de criptoativos.

Já outros fundos podem funcionar por meio de aplicações e resgates realizados segundo as regras da própria classe, sem que suas cotas sejam negociadas em bolsa da mesma forma que um ETF.

Portanto, embora ambos sejam fundos, a forma de negociação, a estratégia e a estrutura operacional podem ser diferentes.

Como um fundo pode obter exposição a criptoativos?

A exposição pode ser construída de maneiras diferentes, conforme a política do fundo e a regulamentação aplicável.

Entre as estruturas possíveis podem estar investimentos em criptoativos admitidos pela regulamentação, fundos ou veículos no exterior, derivativos e outros ativos financeiros relacionados ao mercado digital.

A Resolução CVM 175 passou a tratar expressamente da possibilidade de Fundos de Investimento Financeiro possuírem exposição a criptoativos, observados os requisitos previstos na regulamentação.

A composição efetiva de cada carteira deve ser verificada nos documentos e informações divulgados pelo próprio fundo.

Quais são as possíveis vantagens?

Para determinados investidores, utilizar um fundo pode simplificar a exposição ao mercado de ativos digitais.

Entre as características que podem ser consideradas estão:

  • gestão profissional da carteira;
  • estrutura de fundo sujeita à regulamentação aplicável;
  • delegação de aspectos operacionais relacionados à carteira;
  • possibilidade de diversificação dentro de uma estratégia;
  • acesso por meio de estruturas conhecidas do mercado financeiro tradicional.

Esses fatores não significam que fundos sejam necessariamente melhores do que outras formas de exposição.

A adequação depende do perfil do investidor, dos custos, da estratégia, do prazo e dos riscos assumidos.

Quais são os principais riscos?

Fundos com exposição relevante a criptoativos podem apresentar elevada volatilidade.

Entre os principais riscos estão:

  • fortes oscilações nos preços dos criptoativos;
  • possibilidade de perda do capital investido;
  • risco de liquidez;
  • risco cambial em determinadas estratégias;
  • riscos relacionados a derivativos;
  • riscos operacionais e tecnológicos;
  • riscos relacionados à custódia dos ativos da carteira;
  • mudanças regulatórias;
  • diferença entre o desempenho esperado e o efetivamente obtido pelo fundo.

Também é importante observar o grau de concentração.

Um fundo altamente exposto a um único criptoativo pode ter comportamento muito diferente de outro que distribui seu patrimônio entre diversas classes de ativos.

Quais taxas podem existir?

Fundos podem cobrar diferentes taxas conforme sua estrutura.

Entre elas podem estar taxa de administração, taxa de gestão e, quando prevista, taxa de performance.

Também podem existir despesas suportadas pelo patrimônio do fundo e custos associados aos veículos ou instrumentos utilizados na estratégia.

Por isso, comparar apenas a rentabilidade passada de dois fundos pode produzir uma visão incompleta.

É importante verificar custos, política de investimento, riscos e prazo de resgate antes de tomar uma decisão.

Investir por meio de um fundo torna criptoativos seguros?

Não.

A estrutura regulada de um fundo estabelece regras de funcionamento, governança, divulgação de informações e responsabilidades de seus prestadores de serviços.

Isso não elimina o risco econômico dos ativos existentes na carteira.

Se o preço dos criptoativos cair significativamente, a cota de um fundo exposto a eles também pode sofrer perdas.

Da mesma forma, regulamentação não deve ser confundida com garantia de rentabilidade ou proteção contra perdas.

Como funciona a regulação dos fundos de criptoativos no Brasil?

Os fundos de investimento brasileiros estão sujeitos à regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Resolução CVM 175 constitui o atual marco regulatório geral dos fundos de investimento e possui anexos específicos para diferentes categorias.

Entre as inovações introduzidas no Anexo Normativo I, relativo aos Fundos de Investimento Financeiro, está a possibilidade de investimento em criptoativos, observadas as condições estabelecidas pela regulamentação.

A CVM também diferencia os criptoativos que são valores mobiliários daqueles que não possuem essa natureza.

Bitcoin e a maioria das criptomoedas, por exemplo, não se tornam valores mobiliários apenas por serem criptoativos. Já tokens que representam valores mobiliários tradicionais ou determinadas estruturas caracterizadas como contratos de investimento coletivo podem entrar na competência da CVM.

Essa distinção é importante porque a regulação do fundo e a natureza jurídica dos ativos de sua carteira são questões relacionadas, mas diferentes.

E qual é o papel do Banco Central?

O Banco Central possui competência para regular, autorizar e supervisionar as prestadoras de serviços de ativos virtuais dentro do regime estabelecido pela legislação brasileira.

A Resolução BCB nº 520/2025 passou a disciplinar a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais e a prestação desses serviços por outras instituições autorizadas pelo Banco Central.

Essas regras entraram em vigor em 2026 e fazem parte do desenvolvimento do marco regulatório brasileiro dos ativos virtuais.

Isso não transfere ao Banco Central a supervisão dos fundos de investimento, que permanece no âmbito da CVM. Cada órgão atua dentro das competências estabelecidas pela legislação.

O que observar antes de investir em um fundo de criptoativos?

Antes de escolher um fundo, é importante compreender como ele pretende obter exposição ao mercado de ativos digitais.

Alguns pontos que merecem atenção são:

  • política de investimento;
  • percentual de exposição a criptoativos;
  • ativos e instrumentos utilizados;
  • nível de risco;
  • histórico e estratégia do gestor;
  • taxas e demais custos;
  • prazo de aplicação e resgate;
  • liquidez;
  • possível exposição cambial;
  • compatibilidade com os objetivos e o perfil de risco do investidor.

Rentabilidade passada também não deve ser interpretada como garantia de desempenho futuro.

Em mercados altamente voláteis, períodos de forte valorização podem ser seguidos por quedas igualmente expressivas.

Perguntas frequentes sobre fundos de criptoativos

Fundos brasileiros podem investir em criptoativos?

Sim, desde que observadas as regras aplicáveis. A Resolução CVM 175 passou a contemplar expressamente possibilidades de investimento em criptoativos para Fundos de Investimento Financeiro dentro das condições previstas pela regulamentação.

Ao investir em um fundo eu possuo Bitcoin?

Não. O investidor possui cotas do fundo. O patrimônio do fundo é que mantém as exposições previstas em sua política de investimento.

Fundo de criptoativos é menos arriscado que comprar Bitcoin?

Não é possível afirmar isso de forma geral. O risco depende da estratégia, da concentração, dos instrumentos utilizados e de outros fatores. A gestão profissional e a estrutura regulada não eliminam volatilidade nem possibilidade de perdas.

ETF de Bitcoin é um fundo de investimento?

ETFs são fundos de índice. Suas cotas são negociadas em mercado organizado e seguem uma estrutura diferente de outros fundos em que aplicações e resgates são realizados diretamente conforme as regras da classe.

Fundos de criptoativos têm garantia do FGC?

Não. Cotas de fundos de investimento não contam com a garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Um fundo regulado pela CVM pode dar prejuízo?

Sim. A supervisão e a regulamentação estabelecem regras para o funcionamento do mercado, mas não garantem rentabilidade nem impedem perdas decorrentes dos investimentos realizados pelo fundo.

Fundos simplificam o acesso, mas não eliminam os riscos dos criptoativos

Fundos de investimento são uma das formas pelas quais investidores podem obter exposição ao mercado de criptoativos sem necessariamente comprar e custodiar moedas digitais diretamente.

A estrutura pode oferecer gestão profissional e funcionamento dentro do marco regulatório dos fundos, mas isso não transforma criptoativos em investimentos de baixo risco.

Volatilidade, liquidez, custos, estratégia e composição da carteira continuam sendo fatores essenciais.

Também é importante não tratar todos os produtos ligados a cripto como equivalentes. Um fundo multimercado com pequena exposição, um fundo concentrado no setor, um ETF e a compra direta de Bitcoin podem produzir experiências e riscos bastante diferentes.

Antes de investir, o ponto principal é compreender exatamente como o fundo funciona e se os riscos assumidos são compatíveis com os objetivos do investidor.

Fontes oficiais consultadas

  • Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Resolução CVM nº 175 e texto consolidado.
  • Comissão de Valores Mobiliários — Marco Regulatório dos Fundos de Investimento.
  • Comissão de Valores Mobiliários — orientações sobre criptoativos e aplicação das regras da CVM.
  • Banco Central do Brasil — regulamentação das prestadoras de serviços de ativos virtuais.

Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de fundo, ETF, criptomoeda ou estratégia. Fundos de investimento e criptoativos envolvem riscos, inclusive possibilidade de perda do capital investido.

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