Staking é um mecanismo utilizado por determinadas redes blockchain para participar da validação de transações e da segurança da rede. Em alguns modelos, quem participa pode receber recompensas em criptoativos.
Essa possibilidade fez com que o staking fosse frequentemente divulgado como uma forma de obter “renda passiva” com criptomoedas. A expressão, porém, pode esconder riscos importantes.
As recompensas não devem ser confundidas com juros bancários ou rentabilidade garantida. O resultado para o usuário depende de fatores como regras do protocolo, preço do ativo, período de bloqueio, taxas, funcionamento do validador e modalidade utilizada.
No Brasil, o tema também ganhou relevância regulatória. Desde 2026, as regras do Banco Central para prestadoras de serviços de ativos virtuais tratam expressamente de operações de staking realizadas no âmbito dessas instituições.
Índice
- O que é staking?
- O que é Proof of Stake?
- De onde vêm as recompensas?
- Quais são as formas de fazer staking?
- Como funciona o staking por plataformas?
- O que é liquid staking?
- Quais são os riscos?
- Staking tem rentabilidade garantida?
- Como funciona a regulação no Brasil?
- Perguntas frequentes
O que é staking?
Staking é um processo associado principalmente a redes blockchain que utilizam mecanismos de consenso baseados em prova de participação, conhecida pela expressão em inglês Proof of Stake (PoS).
Nessas redes, determinados criptoativos podem ser comprometidos com o protocolo para participar direta ou indiretamente da validação das operações e contribuir para o funcionamento da rede.
Dependendo do protocolo, participantes podem receber recompensas pela atividade.
As regras variam significativamente entre blockchains. Quantidade mínima, períodos de desbloqueio, critérios para validadores e distribuição de recompensas são definidos por cada protocolo.
O que é Proof of Stake?
Blockchains precisam de mecanismos para que os participantes cheguem a um acordo sobre quais transações são válidas e sobre o estado da rede.
Proof of Stake é uma família de mecanismos de consenso na qual a participação de validadores está relacionada, entre outros fatores definidos pelo protocolo, a criptoativos comprometidos com a rede.
Isso é diferente do modelo de Proof of Work utilizado pelo Bitcoin, no qual a validação e segurança da rede estão relacionadas à realização de trabalho computacional.
Não existe, entretanto, um único modelo universal de Proof of Stake. Redes diferentes podem adotar regras e arquiteturas distintas.
De onde vêm as recompensas do staking?
As recompensas podem resultar dos mecanismos econômicos definidos pelo próprio protocolo.
Dependendo da blockchain, podem existir novas unidades emitidas pelo protocolo, taxas relacionadas às transações ou uma combinação de diferentes fontes.
Por isso, uma taxa percentual exibida por uma plataforma não deve ser interpretada automaticamente como equivalente à taxa de juros de um investimento tradicional.
Mesmo que a quantidade de tokens do usuário aumente, o valor desses tokens em reais pode cair. O resultado financeiro final depende também da cotação do criptoativo.
Quais são as formas de participar de staking?
Existem diferentes formas de participar, e os riscos não são iguais em todas elas.
Validação direta
Em algumas redes, o usuário pode operar sua própria infraestrutura de validação, desde que cumpra os requisitos técnicos e econômicos definidos pelo protocolo.
Essa modalidade oferece maior controle, mas exige conhecimento técnico e responsabilidade pela operação do validador.
Delegação
Algumas blockchains permitem que usuários deleguem sua participação a validadores sem necessariamente operar toda a infraestrutura.
As características de custódia, controle dos ativos e distribuição das recompensas dependem da rede utilizada.
Staking por intermediário
Exchanges e outras prestadoras podem oferecer serviços nos quais os ativos dos clientes são utilizados em operações de staking.
Nesse caso, além dos riscos do protocolo, o usuário passa a depender da instituição responsável pelo serviço.
Como funciona o staking oferecido por plataformas?
Uma plataforma pode reunir ativos de diferentes clientes e administrar a participação no mecanismo de staking.
O usuário deve verificar como o serviço funciona na prática. Entre as perguntas importantes estão:
- quem mantém a custódia dos ativos;
- se os tokens ficam bloqueados e por quanto tempo;
- como as recompensas são calculadas;
- quais taxas são descontadas;
- quem assume eventuais perdas decorrentes de penalidades;
- como funciona a retirada dos ativos;
- se a plataforma utiliza os ativos para outras atividades além do staking.
Também é importante distinguir uma recompensa originada do mecanismo de consenso da blockchain de uma remuneração prometida diretamente por uma empresa. Embora possam ser apresentadas ao usuário de maneira semelhante, as estruturas e os riscos podem ser diferentes.
O que é liquid staking?
Liquid staking é uma estrutura que pode permitir ao usuário receber outro token relacionado aos ativos utilizados em staking.
Esse token pode ser utilizado em determinadas aplicações enquanto os ativos originais permanecem vinculados ao mecanismo de staking.
A possibilidade de utilizar o token recebido em outras aplicações aumenta a flexibilidade, mas também pode adicionar novas camadas de risco.
Além do risco do ativo original e da blockchain, podem existir riscos relacionados ao smart contract, ao protocolo de liquid staking, à liquidez do token recebido e à manutenção de sua relação econômica com o ativo subjacente.
Quais são os riscos do staking?
Staking não deve ser analisado apenas pela porcentagem de recompensa anunciada.
Volatilidade do criptoativo
O usuário pode receber mais unidades de determinado token e, mesmo assim, ter prejuízo em reais se o preço do ativo cair significativamente.
Período de bloqueio e liquidez
Alguns protocolos exigem períodos para ativação, retirada ou desbloqueio dos ativos. Durante esse intervalo, o usuário pode não conseguir vender seus tokens imediatamente.
Slashing
Determinadas redes possuem mecanismos de penalização conhecidos como slashing. Dependendo das regras do protocolo, comportamento inadequado ou determinadas falhas de um validador podem provocar perda de parte dos ativos comprometidos.
Risco do intermediário
Quando o staking é realizado por uma plataforma, surgem riscos relacionados à custódia, solvência, segurança e operação da instituição.
Risco tecnológico
Falhas em software, smart contracts, protocolos ou infraestrutura podem afetar a operação e os ativos envolvidos.
Mudanças no protocolo
Regras de emissão, recompensas, validação e retirada podem mudar conforme decisões de governança ou atualizações da rede.
Staking tem rentabilidade garantida?
Não.
Uma taxa de recompensa estimada não equivale a uma promessa de rentabilidade em reais.
Imagine, de forma meramente ilustrativa, que uma pessoa receba determinada quantidade adicional de tokens por participar de staking. Se o preço desse ativo cair mais do que o valor das recompensas recebidas, o resultado financeiro medido em reais poderá ser negativo.
Além disso, recompensas podem variar ao longo do tempo conforme regras do protocolo, quantidade total de ativos em staking e outros fatores.
Por isso, expressões como “renda passiva garantida com criptomoedas” são inadequadas para explicar staking.
Como funciona a regulação do staking no Brasil?
O cenário regulatório brasileiro ficou mais específico em 2026.
A Resolução BCB nº 520/2025, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, define staking de ativos virtuais, para os fins da norma, como o processo em que uma pessoa permite que seus ativos sejam bloqueados pela prestadora de serviços de ativos virtuais para participar da validação de transações em sistemas baseados em prova de participação, podendo receber recompensa.
A mesma resolução inclui a realização de operações de staking entre as atividades que podem integrar a intermediação de ativos virtuais realizada pelas instituições abrangidas pela regulamentação.
Isso é diferente de afirmar que qualquer participação direta de uma pessoa em uma blockchain está automaticamente submetida ao mesmo regime aplicável a uma prestadora de serviços.
A Lei nº 14.478/2022 trata da prestação de serviços de ativos virtuais e estabelece a necessidade de autorização das prestadoras abrangidas pela legislação.
Também é necessário considerar a natureza do ativo ou da estrutura oferecida. A CVM possui competência sobre criptoativos que sejam valores mobiliários. Portanto, o nome “staking” não determina sozinho o enquadramento jurídico de uma oferta ou produto.
Uma estrutura em que uma empresa capta recursos do público e promete determinada remuneração precisa ser analisada conforme suas características concretas, independentemente do rótulo utilizado.
Perguntas frequentes sobre staking
Staking é a mesma coisa que deixar dinheiro rendendo?
Não. Staking está relacionado ao funcionamento de determinadas redes blockchain. As recompensas, riscos e mecanismos envolvidos são diferentes daqueles de depósitos bancários ou investimentos tradicionais.
É possível perder dinheiro fazendo staking?
Sim. A cotação do criptoativo pode cair, podem existir penalidades, problemas de liquidez, falhas tecnológicas ou riscos relacionados ao intermediário utilizado.
Todo criptoativo permite staking?
Não. Staking está associado a redes e protocolos que utilizam mecanismos compatíveis, principalmente sistemas baseados em prova de participação. Bitcoin, por exemplo, utiliza Proof of Work e não possui staking nativo.
Staking pela exchange e staking direto são iguais?
Não necessariamente. Ao utilizar uma prestadora, o usuário pode transferir determinadas responsabilidades e riscos para um intermediário. No staking direto, pode assumir responsabilidades técnicas e de custódia diferentes.
Staking é regulamentado pelo Banco Central?
As regras do Banco Central atualmente tratam expressamente de staking quando realizado no âmbito dos serviços de ativos virtuais abrangidos pela Resolução BCB nº 520. Isso não significa que toda forma possível de staking esteja automaticamente sujeita ao mesmo enquadramento.
Staking não deve ser avaliado apenas pela recompensa
Staking é uma parte importante do funcionamento de diversas blockchains baseadas em prova de participação.
As recompensas oferecidas aos participantes podem chamar atenção, mas representam apenas um dos elementos que precisam ser considerados.
Volatilidade do ativo, liquidez, slashing, segurança, custódia, taxas e riscos do intermediário podem afetar significativamente o resultado.
Além disso, a regulamentação brasileira passou a tratar expressamente dos serviços de staking oferecidos por prestadoras de ativos virtuais, tornando importante diferenciar a participação direta em um protocolo dos serviços oferecidos por empresas.
Fontes oficiais consultadas
- Banco Central do Brasil — Resolução BCB nº 520/2025.
- Presidência da República — Lei nº 14.478/2022.
- Comissão de Valores Mobiliários — Parecer de Orientação CVM nº 40.
- Comissão de Valores Mobiliários — orientações sobre criptoativos e valores mobiliários.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de plataforma ou promessa de rentabilidade. Operações com staking e criptoativos podem envolver perda parcial ou total dos recursos utilizados.



